quarta-feira, 3 de agosto de 2011

23 vereadores - dizemos sim!

Texto do camarada Luiz Modesto, Tiros na câmara, que refutem os tambores!
“Quem possui até o presente a eloquência mais convincente? O rufar do tambor, enquanto os reis o tiverem sob o poder serão os melhores agitadores populares.”

Friedrich Nietzche
Já há alguns dias temos nos deparado com uma enxurrada de matérias especulativas, opiniões fervorosamente defendidas e ações de grupos pró e contra o aumento – ou não - no número de cadeiras na Câmara Municipal de Maringá.
De um lado, muito claramente identificadas, as entidades que representam a elite maringaense investindo pesado em propaganda contrária ao aumento na quantidade de vereadores, de outro, entidades ligadas às reivindicações sociais da população menos favorecida e uma boa parte dos partidos, favoráveis ao acréscimo de representantes em nossa casa de leis municipal.
As entidades que defendem a manutenção das 15 cadeiras adotaram um discurso enviesado, atrelado à jargões populares, ao senso comum mais grosseiro. Foram várias as vezes que jornais de grande circulação de nossa cidade publicaram matérias tendenciosas, especulando valores impossíveis de serem gastos para a manutenção de 23 edis, já que é preciso, sempre, considerar os moldes que nos impõe a Constituição Federal Brasileira. É nela, em seus artigos 25 e 25A, que se vê a possibilidade legal de um município do porte de Maringá ter 23 representantes em sua casa de leis. Também é nela que se encontram os valores percentuais que devem ser utilizados, do orçamento municipal, para cumprir o funcionamento do legislativo.
Chegamos ao cúmulo de vermos utilizada como cenário de cruzada anti-democracia uma celebração religiosa, a festa de São Cristovão, onde foram distribuídos adesivos financiados por uma destas intituições que lutam pelos interesses dos grandes, princípio de uma campanha de argumentos frágeis e que tomará proporções maiores com a confecção de outdoors, veiculações em televisão, rádio, e no transporte público local.
Utilizando-se da inocência da população, estão planejando soprar aos quatro cantos frases que diminuem o que realmente é a Câmara Municipal de Maringá. Associarão, em breve, a possibilidade legal de que sejam aumentadas as vagas para representantes do povo no legislativo municipal, à falta de professores, às mazelas na saúde pública, à falta de segurança. Esquecem, os nobres nobres de nossa cidade, que as verbas para a educação, saúde e segurança são já “carimbadas”, que o vilão da história é o executivo ineficiente nas várias instâncias da nação, inclusive a municipal. Com bordões chulos do tipo “menos vereadores e mais saúde”, elegem maquiavelicamente – no sentido mais puro do termo – um vilão para arcar com o pesado fardo do descaso e da má gestão da coisa pública.
A união das forças dos fortes de Maringá não se deu no combate à corrupção no Contorno norte, muito menos na questão do Moradias Atenas, ou ainda contra as alterações terríveis e voltadas aos interesses dos imobiliaristas – e somente deles – nos instrumentos urbanos da cidade.
Não os incomoda tanto saber que 2% do orçamento municipal é destinada à manutenção do CODEM, ou que o mesmo faça parte do gabinete do prefeito, ou que 6% da arrecadação seja gasto em propaganda, antes, se queixam que, com 23 vereadores, não teremos mais as sobras dos 5% utilizados para a manutenção da Câmara.
A manipulação suja e deslavada de informações, os embustes e a apropriação da indignação de um povo bom e descontente, além do uso de uma argumentação escrota, simplória e medíocre – intencionalmente – para comover os mais simples e ocultar a necessidade de um real debate sobre o assunto, gera, certamente, consequências drásticas neste povo bom e descontente.
Do acontecido na noite de sábado (29/07/2011) na Câmara Municipal de Maringá, quando fora alvejada sabe lá por qual motivo, por quem, à mando de quem ou sob a influência de quais questões, resta a difícil pergunta: quem participa da culpa desta barbárie contra a democracia?
Senti, nas linhas de alguns dos defensores da manutenção da baixa representatividade na Câmara Municipal, um certo medo, um frio na barriga por sondar-lhes a possibilidade de ter participação indireta neste ocorrido.
Pode, como já especularam alguns colegas da blogosfera, terem sido os tiros motivados por alguém “drogado”, como também para a intimidação dos edis ou, pior, por alguém que teve seu ódio e indignação canalizados para uma instituição que não é, nem de começo, a responsável pelas mazelas que afligem nossa população.
Temo pela continuidade desta campanha absurda, assim como desconfio da inocência de todos os envolvidos, mas acredito que ainda seja possivel um debate qualificado sobre a questão.
Enquanto o rufar do tambor for refém da elite e dos poderosos, e a eloquência mais convincente e floreada por profissionais de propaganda e difundidas em espaços de expressão de fé popular possuirem, podemos esperar ações como as deste sábado, ou ainda piores.
Retirado do site:
http://4.bp.blogspot.com/-rmHSccIkQKw/TjXqEpIiyJI/AAAAAAAAAsg/jeR-0uISN3g/s1600/despotismo.png