No Brasil, quando se fala em
mobilização popular, são, indiscutivelmente, os estudantes, os
principais responsáveis por conduzir movimentos de massa, politizados e
concatenados com as demandas da maioria do povo.
A Frente Estudantil é a de maior repercussão na atuação da União da Juventude Socialista. Somos a organização que preside as três principais entidades dos estudantes brasileiros, a UNE (União Nacional dos Estudantes), a UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) e a ANPG (Associação Nacional de Pós-Graduandos).
Em março de 2012, Jornada de Lutas da UNE e UBES foi às ruas de Maringá. Todos os anos, as entidades mobilizam suas Jornadas de Lutas. Em 2012, o tema dos 50% dos recursos do pré-sal para a educação contagiou as ruas, com mais de mil estudantes de várias escolas públicas e privadas e faculdades.
Através do movimento estudantil, nos organizamos em núcleos em escolas e instituições de ensino superior, promovendo atividades como debates, abaixo-assinado, seminários, etc.
A UNE NÃO É MAIS A MESMA
Ramon Alves é Diretor da União Nacional dos Estudantes.
O Congresso da União Nacional dos Estudantes, realizado entre os dias 13 a 17 deste mês, evidenciou mais uma vez a força e a grandeza do movimento estudantil brasileiro. Mais de 10 mil estudantes, de todos os estados, eleitos por outros mais de 1 milhão e meio em quase a totalidade das instituições de ensino superior do Brasil.
Na programação do Congresso, nomes de peso do movimento político e educacional do país, como o ex-presidente Lula, o Ministro da Educação, Fernando Haddad, o Senador Cristovam Buarque, Márcio
Porchmann, dentre outros. Além disso, tivemos diversos painéis, Conferências Livres de Juventude, ato em defesa do pré-sal pra educação,
uma vasta programação cultural e debates fervorosos cujo centro foi a
projeção do Brasil que queremos construir.
O 52º Congresso da UNE
elegeu o carioca Daniel Iliescu, cuja chapa, “O Movimento Estudantil
Unificado Pras Mudanças no Brasil”, reuniu diversas correntes de opinião
política cuja principal pauta é fortalecer as mobilizações por 10% do
PIB pra educação em uma grande Jornada Nacional de Lutas no mês de
agosto.
Dentre as resoluções
aprovada no rico espaço de discussão que é o Congresso da UNE estão o
apoio à criação da Comissão da Verdade na Câmara dos Deputados, a
fiscalização por parte da UNE dos recursos que serão investidos para a
Copa do Mundo e Olimpíadas e ainda um texto crítico quanto à política de
juros e superávit primário do governo Dilma.
Enquanto tudo isso
acontecia, uma parte da nossa imprensa – a mesma que se coloca contrária
às greves de servidores, que criminaliza os movimentos sociais, em
especial o MST, que se rende a tudo o que vem de fora e subjulga o que é
do nosso país – atacou o encontro dos estudantes, taxando-o de “chapa
branca” por receber patrocínio de estatais.
Somente setores da sociedade
incapazes de compreender a pluralidade da juventude e do movimento
estudantil brasileiro podem fazer afirmação tão equivocada. A União
Nacional dos Estudantes é a entidade do movimento social mais
democrática do Brasil. Em seu Congresso, era possível identificar
inúmeras correntes políticas – PCdoB, PT, PMDB, Psol, PCR, PPL, PDT,
PSB, POR -, cujas opiniões, mesmo divergentes, são respeitadas e
contribuem para que a UNE seja uma entidade tão grande, respeitada e
influente na sociedade brasileira. Tanto que em sua fala no grupo de
desenvolvimento nacional, o Senador Cristovam Buarque afirmou “gostaria
que no Congresso Nacional houvesse debate de idéias tão rico quanto
neste espaço”.
Questionam o patrocínio de
estatais como se a UNE não fosse uma entidade de grande utilidade
pública. Discussões apresentadas e aprovadas nos congressos da entidade
repercutem nas universidades e nas campanhas promovidas pelo movimento
estudantil em todos os Estados do país. É o recurso público a serviço do
Brasil e do fortalecimento da nossa democracia. Não se pode dizer o
mesmo quando esse mesmo recurso financia jornais que defendem as causas
mais afinadas com interesses externos em detrimento do nosso país.
O que esse setor da imprensa
costumeiramente finge não perceber é que o Brasil mudou e a UNE é parte
e produto dessa transformação. Ao contrário de 1998 e 2002 quando o
principal tema no país era o desemprego, hoje o Brasil se prepara para
ser uma nação desenvolvida, com ampliação de sua qualidade democrática e
a participação do povo nas riquezas produzidas.
Dez anos atrás fazíamos
passeata rumo ao Palácio do Planalto porque o professor universitário
recebia baixos e congelados salários, porque a assistência estudantil
não estava na pauta do governo federal, porque a graduação de nível
superior no Brasil era exclusividade de uma parcela reduzida de jovens,
porque se abria instituições privadas a torto e a direito sem qualidade,
porque não foram criadas novas instituições federais de ensino
superior, dentre outros. É isso o que a imprensa finge não perceber.
As principais mobilizações
da UNE no último período foram propositivas, no sentido de avançar ainda
mais nas conquistas do povo brasileiro. É significativamente diferente
de quando nossa pauta era de reação às mais diversas políticas
educacionais e sociais implementadas pelo governo FHC contrárias não
apenas à nossa pauta, mas a de todo o movimento educacional do Brasil.
Medidas que agravaram nossa baixa qualidade de ensino e acentuaram o
antagonismo entre a educação pública e privada.
Aqueles que acham que os
estudantes são comprados com patrocínio estatal, deveriam lembrar que em
2001 o governo federal baixou uma Medida Provisória acabando com a
exclusividade na emissão de carteiras estudantis da UNE. Na época,
imaginaram que tal medida acabaria com a União Nacional dos Estudantes.
Enganaram-se, pois os estudantes acabariam sendo determinantes para
questionar o modelo econômico e elegendo Lula para a presidência. O que
FHC e seu ministro, Paulo Renato, conseguiram foi enfraquecer a
meia-entrada no Brasil.
O que devemos mesmo
questionar é por que o patrocínio estatal ao Congresso da UNE ocupa
páginas e mais páginas desses “preocupados” jornalões brasileiros, mas
nossa Jornada de Lutas, que mobiliza mais de 200 mil estudantes, nesses
mesmos jornais ganha nota de rodapé.
Em uma coisa a grande
imprensa tem razão, a UNE não é mais a mesma. O 52º Congresso da
entidade, o maior da nossa história, provou isso. A UNE está cada dia
mais forte, mais presente e mais combativa nas universidades
brasileiras. Que venha a marcha dos estudantes em agosto! Educação deve
deixar de ser discurso para se tornar alavanca para o desenvolvimento
nacional!