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terça-feira, 23 de abril de 2013
Atualidade do pensamento de Lênin
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Aumento dos conflitos de terra, assassinatos e conflitos pela água são destaque do relatório anual da CPT
Na tarde de ontem, 22 de abril, a
Comissão Pastoral da Terra (CPT) lançou, durante ato no Acampamento Hugo
Chávez, ao lado do Incra do DF, em Brasília, a 28ª edição da publicação
Conflitos no Campo Brasil 2012.
No ato foram apresentados os dados de conflitos no campo no ano de
2012, que somaram 1.364, os conflitos por terra, 1.067, e os
assassinatos, que somaram 36 nesse último ano. Um aumento de 24% em
relação ao ano de 2011. Além disso, Antônio Canuto, secretário da
coordenação nacional da CPT destacou que desses assassinados, 7 já
haviam recebido ameaças de morte. O que demonstra que está se cumprindo
as promessas de morte nos conflitos no campo, em detrimento da
inoperância do estado nesses casos. Além disso, Canuto destacou a
impunidade que persiste em nosso país, e que ficou clara na absolvição
do mandante do assassinato do casal de extrativista de Nova Ipixuna
(PA), José Cláudio e Maria do Espírito Santo, em julgamento realizado no
início do mês de abril. O casal já havia recebido várias ameaças de
morte.
Os conflitos pela água subiram de 68, em 2011, para 79 nesse último
ano. A CPT registrou, também, conflitos em tempo de seca em 2012.
Ocorreram 36 em seis estados do país.
Além disso, houve um aumento expressivo no número de tentativa de
assassinato. Passou de 38, em 2011, para 77 em 2012. Carlos Walter Porto
Gonçalves, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) destacou
as comunidades tradicionais como foco das ações de violência no campo.
Rosimeire dos Santos, quilombola representante do Quilombo Rio dos
Macacos, na Bahia, compartilhou a situação atual do quilombo, de tensão e
opressão que sofrem por ação da Marinha. Segundo Rosimeire, “perdi
pessoas da minha família e outros quilombolas, pois não podíamos ter
acesso a saúde. A Marinha nos impedia de ir buscar atendimento”. O
Quilombo vive um processo de tensão com a Marinha há muitos anos, que
não reconhece o direito deles sobre o território que ocupam há séculos.
A UPE UNE O PARANÁ: ENTIDADE CONVOCA O SEU 44º CONGRESSO EM PONTA GROSSA PR
O 44º Congresso da União Paranaense dos Estudantes (44º CONUPE), já tem
data e local para acontecer, sob organização dos membros da CEECO
(Comissão Estadual de Credenciamento e Organização) o evento será
realizado nos dias 18 e 19 de Maio de 2013, na Universidade Estadual de
Ponta Grossa.
Estudantes de todas as regiões do Estado estão se preparando para
arrumar as malas e viajar até Ponta Grossa para o maior encontro
universitário do Estado, o congresso deliberará sobre a linha de atuação
da entidade para o próximo biênio, bem como eleger a nova diretoria da
UPE, é também uma etapa estadual do 53º Congresso da UNE, que acontecerá
de 29 de maio à 2 de junho em Goiânia GO.
Mais informações direto no Blog da UPE
Médicos alertam autoridades sobre planos de saúde
As entidades médicas nacionais encaminharam ofício para algumas das principais autoridades do país informando sobre a decisão da categoria de promover um Dia Nacional de Alerta aos Planos de Saúde na próxima quinta-feira (25). Os médicos avaliam que essas empresas têm desrespeitado os médicos e gerado insatisfação e insegurança entre os pacientes com relação à assistência prometida.
domingo, 21 de abril de 2013
Frei Betto: Infelicianeidade
Vocábulos nascem de expressões populares. Assim como nomes próprios trazem significados que deitam raízes em suas respectivas etimologias.
Por Frei Betto*
Feliciano é nome de origem latina, derivado de felix, feliz. Nem sempre,
contudo, uma pessoa chamada Modesto deixa de ser arrogante e conheço
uma Anabela que é de uma feiura de fazer dó.
Estamos todos nós, defensores dos direitos humanos, às voltas com um pepino federal. Nossos servidores na Câmara dos Deputados, aqueles cujos altos salários e complementos (viagens aéreas, planos de saúde, assessores etc.) são pagos pelo nosso bolso, e a quem demos empregos através do voto, cometeram o equívoco de eleger o deputado e pastor Marco Feliciano para presidir a Comissão de Direitos Humanos.
O pastor-deputado, filiado ao PSC-SP, escreveu em seu twitter: "Africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé. Isso é fato.” Em outra mensagem, postou: "Entre meus inimigos na net (sic) estão: satanistas, homoafetivos, macumbeiros...”
Em processo aberto no Supremo Tribunal Federal, Feliciano é acusado de induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, crime sujeito à prisão de um a três anos, além de multa.
Em sua defesa, protocolada, a 21 de março, pelo advogado Rafael Novaes da Silva, Feliciano afirma: "Citando a Bíblia (...) africanos descendem de Cão (sic) (ou Cam), filho de Noé. E, como cristãos, cremos em bênçãos e, portanto, não podemos ignorar as maldições.”
Que deus é este que amaldiçoa seus próprios filhos? Essa suposta teologia vigorou no Brasil colonial para justificar a escravidão. O Deus de Jesus ama incondicionalmente todos os homens e mulheres, e ainda que O rejeitemos Ele não deixa de nos amar, conforme atestam a relação do profeta Oseias com sua mulher Gomer e a parábola do Filho Pródigo.
Todo fundamentalismo cristão é ancorado na interpretação literal da Bíblia, que deriva da ignorância exegética e teológica. Os criacionistas, por exemplo, que negam o evolucionismo constatado por Darwin, acreditam que existiram um senhor chamado Adão e uma senhora chamada Eva, dos quais somos descendentes (embora não expliquem como, pois tiveram dois filhos homens, Caim e Abel...). Ora, Adão em hebraico é terra, e Eva, vida. O autor bíblico quis acentuar que a vida, dom maior de Deus, brota da terra.
Ter Feliciano como presidente de uma Comissão tão importante – por culpa de grandes legendas como PMDB, PSDB e PT – é uma infelicidade, pois não condiz com o nome do deputado que, na roda do samba que está sendo obrigado a dançar, insiste no refrão: "Daqui não saio, daqui ninguém me tira.”
O deputado é um pastor evangélico. Sua conduta deveria, no mínimo, coincidir com os valores pregados por Jesus, que jamais discriminou alguém.
Jesus condenou o preconceito dos discípulos à mulher sírio-fenícia; atendeu solícito o apelo do centurião romano (um pagão!) interessado na cura de seu servo; deixou que uma mulher de má reputação lhe lavasse os pés com os próprios cabelos, e ainda recriminou os que se escandalizaram ao presenciar a cena; e não emitiu uma única frase moralista à samaritana adepta da rotatividade conjugal, pois estava no sexto homem! Ao contrário, a ela Jesus se revelou como o Messias.
É direito intrínseco de todo ser humano, e também da democracia, cada um pensar pela própria cabeça, seguir a sua consciência. Nada contra o pastor Feliciano, na contramão do Evangelho, abominar negros e odiar homossexuais e adeptos da macumba. Desde que não transforme seu preconceito em atitude discriminatória, e seu mandato em retrocesso às conquistas que a sociedade brasileira alcança na área dos direitos humanos.
Estamos todos nós, brasileiros e brasileiras, indignados e perplexos frente ao impasse armado pelo jogo político rasteiro da Câmara dos Deputados. Eis uma verdadeira situação de infelicianeidade, com a qual não podemos nos conformar.
* é escritor, autor do romance "Aldeia do Silêncio” (Rocco), entre outros livros. Artigo publicado na Adital
Estamos todos nós, defensores dos direitos humanos, às voltas com um pepino federal. Nossos servidores na Câmara dos Deputados, aqueles cujos altos salários e complementos (viagens aéreas, planos de saúde, assessores etc.) são pagos pelo nosso bolso, e a quem demos empregos através do voto, cometeram o equívoco de eleger o deputado e pastor Marco Feliciano para presidir a Comissão de Direitos Humanos.
O pastor-deputado, filiado ao PSC-SP, escreveu em seu twitter: "Africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé. Isso é fato.” Em outra mensagem, postou: "Entre meus inimigos na net (sic) estão: satanistas, homoafetivos, macumbeiros...”
Em processo aberto no Supremo Tribunal Federal, Feliciano é acusado de induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, crime sujeito à prisão de um a três anos, além de multa.
Em sua defesa, protocolada, a 21 de março, pelo advogado Rafael Novaes da Silva, Feliciano afirma: "Citando a Bíblia (...) africanos descendem de Cão (sic) (ou Cam), filho de Noé. E, como cristãos, cremos em bênçãos e, portanto, não podemos ignorar as maldições.”
Que deus é este que amaldiçoa seus próprios filhos? Essa suposta teologia vigorou no Brasil colonial para justificar a escravidão. O Deus de Jesus ama incondicionalmente todos os homens e mulheres, e ainda que O rejeitemos Ele não deixa de nos amar, conforme atestam a relação do profeta Oseias com sua mulher Gomer e a parábola do Filho Pródigo.
Todo fundamentalismo cristão é ancorado na interpretação literal da Bíblia, que deriva da ignorância exegética e teológica. Os criacionistas, por exemplo, que negam o evolucionismo constatado por Darwin, acreditam que existiram um senhor chamado Adão e uma senhora chamada Eva, dos quais somos descendentes (embora não expliquem como, pois tiveram dois filhos homens, Caim e Abel...). Ora, Adão em hebraico é terra, e Eva, vida. O autor bíblico quis acentuar que a vida, dom maior de Deus, brota da terra.
Ter Feliciano como presidente de uma Comissão tão importante – por culpa de grandes legendas como PMDB, PSDB e PT – é uma infelicidade, pois não condiz com o nome do deputado que, na roda do samba que está sendo obrigado a dançar, insiste no refrão: "Daqui não saio, daqui ninguém me tira.”
O deputado é um pastor evangélico. Sua conduta deveria, no mínimo, coincidir com os valores pregados por Jesus, que jamais discriminou alguém.
Jesus condenou o preconceito dos discípulos à mulher sírio-fenícia; atendeu solícito o apelo do centurião romano (um pagão!) interessado na cura de seu servo; deixou que uma mulher de má reputação lhe lavasse os pés com os próprios cabelos, e ainda recriminou os que se escandalizaram ao presenciar a cena; e não emitiu uma única frase moralista à samaritana adepta da rotatividade conjugal, pois estava no sexto homem! Ao contrário, a ela Jesus se revelou como o Messias.
É direito intrínseco de todo ser humano, e também da democracia, cada um pensar pela própria cabeça, seguir a sua consciência. Nada contra o pastor Feliciano, na contramão do Evangelho, abominar negros e odiar homossexuais e adeptos da macumba. Desde que não transforme seu preconceito em atitude discriminatória, e seu mandato em retrocesso às conquistas que a sociedade brasileira alcança na área dos direitos humanos.
Estamos todos nós, brasileiros e brasileiras, indignados e perplexos frente ao impasse armado pelo jogo político rasteiro da Câmara dos Deputados. Eis uma verdadeira situação de infelicianeidade, com a qual não podemos nos conformar.
* é escritor, autor do romance "Aldeia do Silêncio” (Rocco), entre outros livros. Artigo publicado na Adital
Retidado originalmente de vermelho.org.br
sexta-feira, 19 de abril de 2013
Por que dizer NÃO à redução da maioridade penal?
Antagonismo. Terça-feira, 16 de abril.
Os jovens brasileiros conquistam a histórica aprovação do seu Estatuto
da Juventude no Senado Federal. Um avanço no que tange assegurar
direitos a eles. Esta é a primeira legislação em nível constitucional a
tratar a juventude como política de Estado. Cerca de 53 milhões de
brasileiros, de 15 a 29 anos de idade, serão beneficiados com o projeto,
que estabelece uma série de garantias e direitos para a juventude
brasileira, como acesso à educação, ao ensino profissionalizante, ao
trabalho e à renda.
Neste mesmo dia, o governador de São
Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) entrega ao presidente da Câmara um projeto
de lei, que propõe alterações no Estatuto da Criança e do Adolescente
(ECA), a principal dessas mudanças sugere a ampliação de três para oito
anos de reclusão para os menores infratores. O enredo que motivou a
decisão foi o assassinato
do estudante Victor Hugo Deppman, de 19 anos, no último dia 09. O crime
foi cometido por um outro jovem, prestes a completar 18 anos. Este fato
reacendeu a discussão sobre a redução da maioridade penal, tanto pela
mídia, quanto pelas classes conservadoras.
Em meio à essa discussão, o estudante
Vinicius Bocato escreveu um ótimo artigo, que traz dados contundentes
para apontar que a redução da maioridade penal está longe de ser a
melhor alternativa para combater a violência. A UJS reproduz na íntegra,
confira.
Razões para NÃO reduzir a maioridade penal
Na última semana uma tragédia abalou
todos os funcionários e alunos da Faculdade Cásper Líbero, onde estou
terminando o curso de jornalismo. O aluno de Rádio e TV Victor Hugo
Deppman, de 19 anos, foi morto por um assaltante na frente do prédio
onde morava, na noite da terça-feira (9). O crime chocou não só pela
banalização da vida – Victor Hugo entregou o celular ao criminoso e não
reagiu –, mas também pela constatação de que a tragédia poderia ter
acontecido com qualquer outro estudante da faculdade.
Esse novo capítulo da violência diária
em São Paulo ganhou atenção especial da mídia por um detalhe: o
criminoso estava a três dias de completar 18 anos. Ou seja, cometeu o
latrocínio (roubo seguido de morte) enquanto adolescente e foi
encaminhado à Fundação Casa.
Óbvio que a primeira reação é de
indignação; acho válida toda a revolta da população, em especial da
família do garoto, mas não podemos deixar que a emoção nos leve a
atitudes irresponsáveis. Sempre que um adolescente se envolve em um
crime bárbaro, boa parte da população levanta a voz para exigir a
redução da maioridade penal. Alguns vão adiante e chegam a questionar se
não seria hora do Estado se igualar ao criminoso e implantar a pena de
morte no país. Foi o que fez de forma inconsequente o filósofo Renato
Janine Ribeiro, em artigo na Folha de S. Paulo, por ocasião do
assassinato brutal do menino João Hélio em 2007.
Além de obviamente não termos mais
espaço para a Lei de Talião no século XXI, legislar com base na emoção
nada mais atende do que a um sentimento de vingança. Não resolve (nem
ameniza) o problema da violência urbana.
O que chama a atenção é maneira como a
grande mídia cobre essas tragédias. A maioria das matérias que vemos nos
veículos tradicionais só reforçam uma característica do Brasil que eles
mesmo criticam: somos o país do imediatismo. A cada crime brutal
cometido por um adolescente, discutimos os efeitos da violência, mas não
as suas causas. Discutimos como reprimir, não como prevenir. É uma
tática populista que desvia o foco das reais causas do problema.
Abaixo exponho a lista de motivos pelos quais sou contra a redução da maioridade penal:
As leis não podem se basear na exceção
A maneira como a grande mídia cobre
estes crimes bárbaros cometidos por adolescentes nos dá a (falsa)
impressão de que eles estão entre os mais frequentes. É justamente o
inverso. O relatório de 2007 da Unicef “Porque dizer não à redução da idade penal” mostra que crimes de homicídio são exceção:
“Dos crimes praticados por adolescentes,
utilizando informações de um levantamento realizado pelo ILANUD
[Instituto Latino-Americano das Nações Unidas para Prevenção do Delito e
Tratamento do Delinquente] na capital de São Paulo durante os anos de
2000 a 2001, com 2.100 adolescentes acusados da autoria de atos
infracionais, observa-se que a maioria se caracteriza como crimes contra
o patrimônio. Furtos, roubos e porte de arma totalizam 58,7% das
acusações. Já o homicídio não chegou a representar nem 2% dos atos
imputados aos adolescentes, o equivalente a 1,4 % dos casos conforme
demonstra o gráfico abaixo.”
E para exibir dados atualizados,
dentre os 9.016 internos da Fundação Casa, neste momento apenas 83
infratores cumprem medidas socioeducativas por terem cometido latrocínio
(caso que reacendeu o debate sobre a maioridade penal na última
semana). Ou seja, menos que 1%.
ATIVIDADE DE FORMAÇÃO
Data: 27/04/13, às 13:30, no Plenarinho da Câmara de Vereadores de Maringá.
Debate acerca do Manifesto do Partido Comunista, de Karl Marx e Engels.
A discussão sobre o livro será organizado por mim (Paulo Henrique Mai) e pela camarada
Francielle Cruz. É uma grande oportunidade para todos os militantes que
não estiverem participando do congresso da UMES debaterem mais sobre o comunismo,
sobre o que defendemos, sobre a UJS, e aprender algo mais.
De nava vale
andar se não se sabe onde pretende chegar.
É recomendado que todos já tenham lido o Manifesto, ele pode ser encontrado na íntegra em http://www.pcdob.org.br/ documentos_indice.php?id_docume nto_pasta=54.
Aos secundaristas - Este não é um curso de formação, apenas uma
atividade que, se desejarem, podemos preparar para vocês também. Ah, no
CONUMES já tenta incentivar a galera nova a participar do Curso de
Formação nível 1, que possivelmente acontecerá duas ou três semanas
depois do Congresso da UMES.
Como destruir argumentos da mídia contra Chaves em 1000 pedaços
George Galloway on Gay Rights and Hugo Chavez | Oxford Union
Gerge Galloway falando sobre Direito dos Gayz e Hugo Chavez
Gerge Galloway falando sobre Direito dos Gayz e Hugo Chavez
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Por trás da defesa dos juros estão os especuladores
Renato: Por trás da defesa dos juros estão os especuladores
"A receita tucana foi uma avalista estratégica para os setores que acumularam riqueza com a espiral inflacionária, daí os setores conservadores defenderem juros altos para combater a chamada alta da inflação". Esse foi o tom dado pelo presidente do PCdoB, Renato Rabelo, durante mais uma edição do Palavra do Presidente, ao refletir sobre as especulações da mídia sobre os rumos da economia no Brasil. A entrevista é do jornalista Gustavo Alves.
Joanne Mota, da Rádio Vermelho em São Paulo
Durante o programa, o dirigente comunista esclareceu o que está por trás da cobertura da mídia e disparou "eles querem juros altos porque foi com essa receita que a especulação ganhou muito no Brasil".
Segundo ele, "a inflação sempre será motivo de preocupação, basta lembrar o que a inflação nos anos 80 e 90, e saber que quem mais perde é o povo, os assalariados. Porêm, o que está em jogo hoje é disputa política, daí esse carnaval feito pela direita e pela mídia em torno da inflação".
Renato lembrou que esse grupo que assumiu, desde 2003, as rédeas do país recebeu dos tucanos uma "nação insolvente, sem reservas cambiais. O Brasil literalmente quebrou nas mãos de FHC [Fernando Henrique Cardoso]. E, por isso, não é nenhum exagero afirmar que o Brasil dos tucanos reduziu-se a um emirado do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Receita Tucana
Ao falar sobre as altas taxas de juros, Renato lebrou que além deste mecanismo concentrador, ações como arrocho salarial serviram como instrumento potencializador do abismo entre ricos e pobres no Brasil.
Segundo Renato, foi em resposta a esse cenário cruel, que em 1989 formamos a Frente Brasil Popular, que em 2002 elegeu Lula e abriu caminho para um novo Brasil. "A reconstrução do orgulho social e nacional teve expressão no primeiro governo da história do Brasil nucleado pelas esquerdas, incluindo os comunistas do PCdoB. Evidentemente, no quadro de um governo deste tipo, as primeiras – e mais rápidas – transformações ocorreram – e ocorrem – no campo da democracia e da questão social".
http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=210270&id_secao=1
quinta-feira, 28 de março de 2013
Como seria a economia planificada no socialismo?
Cálculo econômico e Capitalismo
O capitalismo é, de fato, não
apenas uma economia de troca, mas uma economia de troca onde o objetivo da
produção é fazer um lucro. Isto
requer um equivalente geral, a fim de ser calculados e medidos. O lucro é a expressão monetária da
diferença entre o valor de troca de um produto e do valor de troca dos
materiais, energia e força de trabalho usada para produzi-lo, ou o que Marx
chamou de "mais-valia". Da
mesma forma, o custo de produção de um bem é a troca de valor dos outros bens
(incluindo força de trabalho) utilizados em sua produção, enquanto seu preço de
venda é a expressão monetária do seu valor de troca.
Uma vez que, como os economistas
clássicos e Marx mostraram, o valor de troca de um produto depende da
quantidade de trabalho socialmente necessário incorporado nele do início ao
fim, surge à questão de por que os cálculos não podem ser feitos diretamente no
tempo de trabalho e não em dinheiro. É esta a reflexão que está por trás de todos os esquemas
de remuneração e contabilidade de tempo de trabalho.
O motivo pelo qual não é
possível utilizar o tempo de trabalho como um equivalente geral no lugar de
dinheiro é que o valor de troca de um produto não depende da real quantidade de trabalho incorporado
nesse produto no decurso da sua produção do de início ao fim, mas a quantidade
de trabalho socialmente
necessário incorporado na
mesma, o que de modo algum é o mesmo (de outro modo seria um trabalhador
ineficaz, porque ele tomou mais tempo, produzir mais valor do que um
trabalhador eficiente, mas isto não é o caso).
Embora a quantidade real de
trabalho gasto na produção de um bem poderia, teoricamente, ser medida, o que é
o trabalho socialmente necessário é uma média social - tendo em conta a técnica
média, a produtividade média, a intensidade média do trabalho, etc. - que só
pode ser estabelecida através do processo social que é o funcionamento do
mercado, cujo preço mudanças refletem as mudanças que estão continuamente
ocorrendo em vários fatores que acabamos de mencionar que determinam à média. Em outras palavras, é uma média que só
pode ser estabelecida depois
de um bem ter sido produzido.
É por isso que Von Mises estava
certo ao dizer que - sob o capitalismo, é claro - a única unidade possível de
cálculo econômico é dinheiro, não o tempo de trabalho, mas este ponto já havia
sido descoberto por Marx, quando ele discutiu e rejeitou vários esquemas de valor
trabalho em 1859, em sua Crítica
à Economia Política.
53º Congresso da UNE e Bloco Na Rua rumo à Goiânia
Entre os dias 29 de maio e 02 de junho, em Goiânia, acontecerá o
maior fórum de deliberação do movimento estudantil: o 53º Congresso da
UNE (União Nacional dos Estudantes).
A largada já foi dada desde o último dia 10, em votação da plenária
do 61º Conselho Nacional das Entidades Gerais, o Coneg da UNE.
Congresso da UNE
O Congresso é
realizado a cada dois anos, é nele que a nova presidência e diretoria da
UNE é eleita, e são definidas também as frentes de atuação da entidade
nos dois anos posteriores. A UNE já foi presidida por diversos
importantes nomes da política brasileira, como José Serra, Aldo Arantes,
Franklin Martins, Aldo Rebelo, Lindberg Farias e Orlando Silva. Estes
três últimos também presidiram também a União da Juventude Socialista.
O evento é aberto a
todos, contudo, apenas os delegados têm o poder de voto. Os delegados
são estudantes que são eleitos em suas universidades para representar os
demais alunos da instituição no Congresso.
Organização da eleição
O Congresso da UNE e o processo de eleição dos delegados competem à
organização da Comissão Nacional de Eleição, Credenciamento e
Organização (CNECO). Essa
Comissão é composta por 44 membros, todos eleitos na plenária do 61º
CONEG. As eleições dos delegados devem cumprir as regras dispostas no
regimento (leia aqui o documento).
A eleição da UNE é
realizada de forma congressual, semelhante ao que ocorre em outras
entidades como OAB, CUT e CNBB. As chapas se organizam em teses que são
apresentadas, discutidas e eleitas na plenária final do Congresso, no
último dia do encontro. Nesse momento são votadas as propostas
consensuais, divergentes e, por fim, os estudantes elegem o novo
presidente e a composição da diretoria.
Essa é composta proporcionalmente na medida exata dos votos que cada
chapa obteve na votação. Além dos delegados (estudantes eleitos nas
universidades), podem participar do congresso observadores credenciados.
Movimento Bloco Na Rua
Durante o 14º Coneb (Conselho Nacional de Entidades de Base) da UNE, realizado em Recife, foi lançada a chapa Bloco na Rua,
movimento que pretende eleger o maior número de delegados ao 53º
Congresso da UNE e ocupar as ruas durante todo o processo de mobilização
do Congresso, entre as pautas já
definidas pela chapa, está a prioridade pela ampliação dos
investimentos na educação (10% do PIB, 100% dos royalties e 50% do
pré-sal) e a Reforma Universitária.
Como participar?
O processo de eleição dos delegados pode ser
encaminhado por Diretórios Acadêmicos (DCE) ou por uma Comissão formada
por dez estudantes. Os processos de eleições bem como as inscrições das
Comissões terão início a partir do dia 18 de março de 2013.
A proporção de eleição de delegado é de um (regularmente matriculado
na Instituição de Ensino Superior) para cada mil estudantes. Qualquer
aluno devidamente inscrito junto à comissão responsável pela eleição
pode se candidatar a delegado para representar sua universidade no
Congresso da UNE.
Os 500 DCEs que
participaram do CONEG e votaram as deliberações já estão regularizados
para participar do processo eleitoral de delegados. Aqueles que ainda
querem participar têm até o dia 17 de março (domingo), para enviar seus
documentos (Ata de eleição e posse e Estatuto) para email:
53congresso.une@gmail.com
Serviço
Oque? 53º Congresso da UNE (CONUNE)
Quando?: 29 de maio a 02 de junho de 2013
Onde? Goiânia (GO)
Informações? 53congresso.une@gmail.com
Redação com UNE
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Wikileaks: PSDB prometeu entregar o pré-sal aos norte-americanos
Telegrama enviado da embaixada americana para o Depto. de Estado dos EUA, vazado pelo Wikileaks, denuncia que Serra prometeu entregar o pré-sal às petroleiras do exterior:
“Eles são os profissionais e nós somos os amadores”, teria afirmado Patrícia Padral, diretora da americana Chevron no Brasil, sobre a lei proposta pelo governo . Segundo ela, o tucano José Serra teria prometido mudar as regras se fosse eleito presidente.”
“Deixa esses caras (do PT) fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava… E nós mudaremos de volta”, teria dito o pré-candidato.”
Nos bastidores, o lobby pelo pré-sal, por Natalia Viana.
“A indústria de petróleo vai conseguir combater a lei do pré-sal?”. Este é o título de um extenso telegrama enviado pelo consulado americano no Rio de Janeiro a Washington em 2 de dezembro do ano passado.
Como ele, outros cinco telegramas a serem publicados hoje pelo WikiLeaks mostram como a missão americana no Brasil tem acompanhado desde os primeiros rumores até a elaboração das regras para a exploração do pré-sal – e como fazem lobby pelos interesses das petroleiras.
Os documento revelam a insatisfação das pretroleiras com a lei de exploração aprovada pelo Congresso – em especial, com o fato de que a Petrobras será a única operadora – e como elas atuaram fortemente no Senado para mudar a lei.
“Eles são os profissionais e nós somos os amadores”, teria afirmado Patrícia Padral, diretora da americana Chevron no Brasil, sobre a lei proposta pelo governo . Segundo ela, o tucano José Serra teria prometido mudar as regras se fosse eleito presidente.
Partilha
Pouco depois das primeiras propostas para a regulação do pré-sal, o consulado do Rio de Janeiro enviou um telegrama confidencial reunindo as impressões de executivos das petroleiras.
O telegrama de 27 de agosto de 2009 mostra que a exclusividade da Petrobras na exploração é vista como um “anátema” pela indústria.
É que, para o pré-sal, o governo brasileiro mudou o sistema de exploração. As exploradoras não terão, como em outros locais, a concessão dos campos de petróleo, sendo “donas” do petróleo por um deteminado tempo. No pré-sal elas terão que seguir um modelo de partilha, entregando pelo menos 30% à União. Além disso, a Petrobras será a operadora exclusiva.
Para a diretora de relações internacionais da Exxon Mobile, Carla Lacerda, a Petrobras terá todo controle sobre a compra de equipamentos, tecnologia e a contratação de pessoal, o que poderia prejudicar os fornecedores americanos.
A diretora de relações governamentais da Chevron, Patrícia Padral, vai mais longe, acusando o governo de fazer uso “político” do modelo.
Outra decisão bastante criticada é a criação da estatal PetroSal para administrar as novas reservas.
Fernando José Cunha, diretor-geral da Petrobras para África, Ásia, e Eurásia, chega a dizer ao representante econômico do consulado que a nova empresa iria acabar minando recursos da Petrobrás. O único fim, para ele, seria político: “O PMDB precisa da sua própria empresa”.
Mesmo com tanta reclamação, o telegrama deixa claro que as empresas americanas querem ficar no Brasil para explorar o pré-sal.
Para a Exxon Mobile, o mercado brasileiro é atraente em especial considerando o acesso cada vez mais limitado às reservas no mundo todo.
“As regras sempre podem mudar depois”, teria afirmado Patrícia Padral, da Chevron.
Combatendo a lei
Essa mesma a postura teria sido transmitida pelo pré-candidtao do PSDB a presidência José Serra, segundo outro telegrama enviado a Washington em 2 de dezembro de 2009.
O telegrama intitulado “A indústria de petróleo vai conseguir combater a lei do pré-sal?” detalha a estratégia de lobby adotada pela indústria no Congresso.
Uma das maiores preocupações dos americanos era que o modelo favorecesse a competição chinesa, já que a empresa estatal da China, poderia oferecer mais lucros ao governo brasileiro.
Patrícia Padral teria reclamado da apatia da oposição: “O PSDB não apareceu neste debate”.
Segundo ela, José Serra se opunha à lei, mas não demonstrava “senso de urgência”. “Deixa esses caras (do PT) fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava… E nós mudaremos de volta”, teria dito o pré-candidato.
O jeito, segundo Padral, era se resignar. “Eles são os profissionais e nós somos os amadores”, teria dito sobre o assessor da presidência Marco Aurelio Garcia e o secretário de comunicação Franklin Martins, grandes articuladores da legislação.
“Com a indústria resignada com a aprovação da lei na Câmara dos Deputados, a estratégia agora é recrutar novos parceiros para trabalhar no Senado, buscando aprovar emendas essenciais na lei, assim como empurrar a decisão para depois das eleições de outubro”, conclui o telegrama do consulado.
Entre os parceiros, o OGX, do empresário Eike Batista, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e a Confederação Naiconal das Indústrias (CNI).
“Lacerda, da Exxon, disse que a indústria planeja fazer um ‘marcação cerrada’ no Senado, mas, em todos os casos, a Exxon também iria trabalhar por conta própria para fazer lobby”.
Já a Chevron afirmou que o futuro embaixador, Thomas Shannon, poderia ter grande influência nesse debate – e pressionou pela confirmação do seu nome no Congresso americano.
“As empresas vão ter que ser cuidadosas”, conclui o documento. “Diversos contatos no Congresso (brasileiro) avaliam que, ao falar mais abertamente sobre o assunto, as empresas de petróleo estrangeiras correm o risco de galvanizar o sentimento nacionalista sobre o tema e prejudicar a sua causa”.
Fonte: Wikileaks
http://wikileaks.ch/cable/2009/08/09RIODEJANEIRO288.html
http://wikileaks.ch/cable/2009/12/09RIODEJANEIRO369.html
Copiado de: Folha de Maringá.com.br
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
O capital de Karl Marx
Desde que há capitalistas e obreiros no mundo, não apareceu livro de
tão grande importância para os obreiros como este. As relações entre o
Capital e o Trabalho, eixo em torno do qual rota todo o nosso sistema
social do tempo presente são cá, pola primeira vez, desenvolvidos
cientificamente, com uma profundidade e com uma clareza só possíveis
para um alemão.
Por mais preciosos que sejam e ficarão como tais os escritos dum Owen, dum Saint-Simon, dum Fourier,
foi reservado a um alemão alçar-se à altura desde a que se pudesse
enxergar com claridade e panoramicamente o domínio inteiro das relações
sociais modernas, de igual modo que aparecem aos olhos do espectador,
situado no mais alto cimo, os sítios montanhosos menos altos.
A economia política ensina-nos até agora que o trabalho é a fonte
de toda a riqueza e a medida de todos os valores, de tal jeito que dous
objectos cuja producção custou o mesmo tempo de trabalho têm também o
mesmo valor e devem também ser necessariamente trocados uns polos
outros em vista que somente valores equivalentes podem ser trocados
entre si.
WWF aponta Cuba como único país com economia sustentável
Cuba é o único país do mundo com desenvolvimento sustentável, segundo o relatório bienal apresentado pela organização WWF em Pequim, e que afirma que o ecossistema "está se degradando a um ritmo sem precedentes na história".
De acordo com o relatório, elaborado pela WWF a cada dois anos e que foi apresentado pela primeira vez na capital chinesa, se as coisas continuarem como estão, por volta de 2050 a humanidade precisaria consumir os recursos naturais e a energia equivalente a dois planetas Terra.É um círculo vicioso: os países pobres produzem um dano per capita à natureza muito menor, mas, à medida que vão se desenvolvendo (exemplos de China e Índia), o índice vai aumentando a níveis insustentáveis pelo planeta.
A WWF elaborou em seu relatório um gráfico no qual sobrepõe duas variáveis: o índice de desenvolvimento humano (estabelecido pela ONU) e o "rastro ecológico", que indica a energia e recursos por pessoa consumidos em cada país.
Surpreendentemente, apenas Cuba tem nos dois casos níveis suficientes que permitem que o país seja considerado que "cumpre os critérios mínimos" para a sustentabilidade.
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Indignação seletiva
Quando se cogitou a possibilidade de aumentar o número de cadeiras da
Câmara de 15 para 21 vereadores – número considerado ideal para uma
cidade com mais de 300 mil habitantes -, um movimento denominado
“Sociedade Organizada” (representantes da indústria e comércio, setores
religiosos e outros) aprontou o maior chilique.
Em nome da suposta economia de dinheiro público – tese facilmente
desmentida, pois a porcentagem do repasse para a Câmara é o mesmo e
independe da quantidade de edis -, investiram em vultuosas propagandas
na tv, rádio e outdoors contrárias ao aumento. Também pagaram militantes
para protestar na Câmara, devidamente uniformizados com camisetas
pretas.
O interesse dos defensores da democracia na permanência das 15
cadeiras era óbvio: com menos vereadores, fica mais fácil aprovar os
projetos de interesse da turma.
Com a mudança de governo (continuidade, na verdade), presenciamos o
aumento excessivo de cargos de confiança na Prefeitura de Maringá. São
aqueles contratados sem concurso público, apadrinhados politicamente. O
apoio amplo ao candidato vitorioso, inclusive dos derrotados, obrigou o
inchaço da máquina administrativa. Somente assim para acomodar a todos –
ou quase.
O que isso representa em termos financeiros? R$ 33,3 milhões de reais
a mais por ano. Dinheiro que poderia ser investido na valorização dos
servidores de carreira ou na melhoria dos serviços públicos básicos.
A “Sociedade Organizada”, por enquanto, nada diz. Movimentos
genéricos como o “Dia do Basta”, sem alvo definido, também não.
Confirmam na prática que estão ao lado dos mandatários da cidade, e não
do povo. Mas era de se esperar. Este blog e outros acusados de receberem
o “mensalinho” da oposição já sabiam. A independência falaciosa dos
combatentes da corrupção não resiste aos fatos.
Aumentar
CCs pode, aumentar o número de vereadores não pode. A “Sociedade
Organizada” se manifesta somente quando lhe é conveniente.
Fonte: Maringá Maringá.com
Apenas relembrando, a UJS e a UMES participaram do debate favoráveis ao aumento do número de vereadores e à manutenção dos subsídios pagos a eles.
Cultura de elite e a revolução egoísta
“Cultura de
elite”. Esse era o fascinante termo que eu mesmo formava --
assincronicamente, porque já existia -- diante das primeiras análises
críticas com as quais me deparava na faculdade. Por mais que fosse logo
cedo perder todo o amor por aquele curso, até hoje vejo apaixonadamente
as ligações entre uma cultura elitista e uma linguagem elitista,
manifestada pelo preconceito linguístico enraizado na sociedade de forma
xenófoba, racista e classista.
Nesta
sociedade se permeiam alguns elementos que, com a justificativa de que
certas partes da cultura -- a ver, o BBB -- são “fúteis” e que são
“alienação”, praticam uma certa abstinência cultural com a qual lidam
como se fosse um traço de sua personalidade. Contudo, continuam a
reproduzir discursos machistas, cis-heterossexistas, racistas,
classistas; isto é, discursos fúteis e alienados. Há uma evidente
desconexão entre aquilo que problematizam no conteúdo “do povão” e do
que problematizam em seus próprios discursos. Ou seja, o problema não
está de fato no discurso (do BBB, do povão, ou seu próprio): o problema está no povão. E no que quer que dele parta, para ele seja, ou que ele endosse.
Este
elitismo cultural, contudo, não vem de uma elite burguesa com a mesma
força que vem de cidadãs e cidadãos de classe média que, munidos de
resquícios culturais de sua ascensão recente, decidiram que um certo
panteão cultural iria reinar dali em diante: o roque e a MPB (com seu
próprio Zeus, Chico Buarque), o Discovery Channel, os livros. Mas
muito mais importante do que a sua cultura elitista, americanizada e
grafocêntrica, o ponto central desta nata da cultura nacional não era a
exaltação destas formas primordiais de cultura, mas sim o ódio constante
na direção de qualquer produto de matrizeis culturais designadas como
inferiores. E por inferiores, leia-se “pobres e negras”.
Dalí nascia a
legião de demônios da elite cultural da classe média brasileira: o RAP e
o funk, a televisão (encabeçada pelo Hades da alienação, a Rede Globo),
a mídia em vídeo, as formas de comunicação não-verbais como a dança e o
discurso oral, a Internet e tudo aquilo que fugisse da matriz burguesa à
qual a classe média apaixonadamente se agarrava como sua amada
genitora. Se não podia apegar-se aos seus violinos e óperas, ao teatro
clássico e aos recitais, ao menos tomaria para si tanta arrogância
quanto possível no que tangia moralizar os passos de dança da periferia
carioca.
Os jovens
roqueiros que arrogantemente destilam o discurso elitista contra
qualquer pessoa que por acaso goste de funk parecem muito preocupados em
fiscalizar a qualidade e a profundidade das letras que são cantadas nos
bailes, e a tecer comentários moralistas sobre seu conteúdo. Contudo,
uma vez confrontados com as maravilhosas letras do Velhas Virgens, tudo
se justifica. Não pelo tom, pela origem ou pelxs sujeitxs, mas sim pelo
fato de que agora constam guitarras.
Desta mesma
forma, o Big Brother tornaria-se o grande chamariz de suas críticas a
uma cultura futil, “de povão”, que não merece atenção ou cuidado. Mas
sobre todas as coisas, o fato de que aquilo é inerentemente uma
cultura ruim, não por causa de uma análise crítica da classe média, mas
porque assim determinou. Isto é tão central para os mandamentos da
elite cultural estabelecida que logo vemos o raciocínio alastrar-se para
a música, a dança.
"Pode a desigualdade, segundo Marx e os marxistas, ser superada?"
Sim, a desigualdade, segundo Marx e seus seguidores, pode sim ser
superada. Diferente de Locke, Marx não enxerga a pobreza como fruto da
“preguiça” do trabalhador, mas como
fruto da apropriação de parte de sua força de trabalho pelo burguês. Ou
seja, para Marx, a classe burguesa enriquece por que explora a classe
proletária, e a classe proletária empobrece por que é explorada pela classe
burguesa.
Isso faz com que Marx chame a
burguesia de “classe dominante”, e o proletariado de “classe dominada”. Para
Marx, existe um movimento histórico de
antagonismo entre a classe dominante e a classe explorada, chamado de luta de classes. Aqui voltamos a
resposta da pergunta: Sim, a desigualdade pode ser superada. Mas não, o individuo não pode supera-la.
Visto que, para Marx “a grande
industria aglomera num mesmo local uma multidão de pessoas que não se conhecem
[...] e as reúne num mesmo pensamento de resistência [contra a exploração
patronal]”(1), a desigualdade, ou seja, a condição de explorado só pode ser
superada com uma união da classe
proletária em torno da luta revolucionaria, para Marx, é a classe quem
derruba seus exploradores e supera sua condição de explorada, e não o individuo
que, sozinho, a vence com seu “próprio esforço”.
Em suma, o individuo não existe
fora da classe (como ator social). “Somente na comunidade o individuo tem os meios de desenvolver
em todas as direções suas aptidões”(2), diria Marx. É essencial entender isso para
entender-se o marxismo. Para o marxismo, não
são os indivíduos (isolados), mas sim as classes, as protagonistas da historia.
Portanto, a desigualdade só poderá
ser superada pela classe, jamais pelo individuo. Como, sob o capitalismo, é a burguesia a dona dos meios de produção,
o proletariado só poderia superar a desigualdade caso expropriasse a burguesia e tomasse para si seus meios de produção.
(1) – “Luta de classes e luta política”,
MARX, Karl. 1847
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Pressionado, Richa recua e desiste de estragar a matriz curricular das escolas do Paraná
O governador Beto Richa (PSDB) desautorizou a Secretaria de Estado da Educação (SEED), comandada pelo seu vice Flávio Arns (PSDB), a alterar a matriz curricular das 2,1 mil escolas paranaenses a partir do ano que vem para o ensino médio.
Pressionado pela comunidade escolar, que saiu às ruas das principais cidades do estado, o tucano voltou atrás. A proposta de mudança no currículo, sem debates, uniu toda a esquerda contra o governo.
O recuo do governador significa uma importante vitória dos paranaenses, que se opuseram à redução de disciplinas como filosofia, sociologia, educação física, artes, dentre outras, para ampliar as de matemática e português apenas por uma jogada de marketing as custas da qualidade do ensino público.
Nossa luta não é em vão, agora temos que garantir ainda que não mude no ensino fundamental, onde há toda a formação formal, social e cultural dos cidadãos.
Fonte: Esmael Morais
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Estudantes de Maringá saem às ruas nesta terça contra a política educacional de Richa
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